por Priscila Rodrigues
A Copa do Mundo FIFA 2026 ainda nem começou, mas o mercado já entrou em campo.
Influenciadores planejam coberturas especiais. Marcas preparam campanhas temáticas. Bares e restaurantes organizam eventos para a transmissão dos jogos. Agências desenvolvem ativações promocionais. Empresas buscam associar seus produtos e serviços ao maior espetáculo esportivo do mundo.
E tudo isso com muita razão. Poucos eventos são capazes de mobilizar tanta atenção, audiência e engajamento quanto uma Copa do Mundo. Durante algumas semanas, o futebol deixa de ser apenas esporte para se transformar em um fenômeno cultural, social e econômico.
Mas existe um aspecto que não pode ser ignorado. A Copa do Mundo também é um dos ativos de propriedade intelectual mais valiosos do planeta.
O negócio por trás do espetáculo
Por trás dos estádios lotados e das transmissões que alcançam bilhões de pessoas, existe uma sofisticada estrutura de direitos que sustenta o modelo econômico do torneio.
A FIFA investe bilhões na organização da competição e protege rigorosamente os ativos que compõem sua identidade comercial. Nomes, marcas, logotipos, mascotes, troféus, identidade visual, conteúdos audiovisuais, transmissões e diversos outros elementos relacionados ao evento são protegidos por direitos de propriedade intelectual.
Isso significa que a utilização desses ativos, especialmente para fins comerciais, depende, em regra, de autorização do titular dos direitos.
Em outras palavras, utilizar símbolos oficiais da Copa em produtos, explorar comercialmente conteúdos das transmissões ou desenvolver campanhas que sugiram associação com o evento pode gerar riscos jurídicos relevantes.
Os limites da exploração comercial da Copa
A Copa do Mundo é um dos eventos esportivos mais patrocinados do planeta. Empresas investem valores expressivos para associar suas marcas ao torneio e explorar comercialmente essa vinculação.
Por essa razão, a FIFA e seus parceiros comerciais monitoram de perto iniciativas que possam sugerir uma associação indevida com a competição.
Nesse contexto, ganha relevância o chamado ambush marketing (marketing de emboscada), prática pela qual uma empresa busca se beneficiar da exposição e do prestígio do evento sem ter autorização ou vínculo oficial com seus organizadores.
Naturalmente, nem toda campanha relacionada ao futebol configura uma infração. O problema surge quando a comunicação cria, direta ou indiretamente, a impressão de que existe uma relação oficial, patrocínio, apoio ou autorização da FIFA.
Uma hashtag, uma peça publicitária inspirada na identidade visual do torneio, uma promoção comercial, a utilização de marcas ou símbolos protegidos, a exploração de conteúdos oficiais ou até mesmo determinadas ações promocionais podem ser suficientes para ultrapassar essa linha.
Também merecem atenção as promoções comerciais realizadas durante a Copa. Dependendo da mecânica adotada, pode ser necessária autorização prévia da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA/MF), além da observância das regras de propriedade intelectual e concorrência desleal aplicáveis ao evento.
Riscos do uso ou vinculação indevidos
A utilização não autorizada de ativos protegidos pode resultar em notificações extrajudiciais, retirada de conteúdos e campanhas do ar, denúncias ao CONAR, suspensão de anúncios, apreensão de materiais promocionais, medidas judiciais e pedidos de indenização.
E a preocupação não se limita a grandes marcas ou empresas. Influenciadores digitais, criadores de conteúdo, agências de marketing, bares, restaurantes, casas de eventos e empresários do entretenimento também devem avaliar cuidadosamente suas iniciativas comerciais relacionadas ao torneio.
Afinal, quanto maior a relevância econômica de um evento, maior tende a ser o monitoramento realizado pelos titulares dos direitos envolvidos.
Planejamento jurídico como ferramenta de negócio
A Copa representa uma excelente oportunidade para gerar visibilidade, engajamento e novos negócios. E isso não significa que empresas e influenciadores estejam impedidos de aproveitar o interesse do público pelo evento.
Existem inúmeras formas de desenvolver campanhas criativas inspiradas na paixão pelo futebol sem utilizar ativos protegidos ou sugerir associações indevidas com a FIFA.
Por isso, a análise jurídica prévia de campanhas publicitárias, promoções, ativações, eventos, transmissões públicas e estratégias de influência digital é uma ferramenta importante para quem pretende aproveitar as oportunidades geradas pela Copa do Mundo 2026 de forma segura.
Nosso escritório conta com equipe especializada em Propriedade Intelectual, Direito do Entretenimento e Publicidade e está à disposição para assessorar empresas, influenciadores, agências e empreendedores que desejam aproveitar as oportunidades geradas pela Copa do Mundo 2026 em seus negócios, com os devidos cuidados jurídicos.